O Grupo atua em dois registros: (a) no teórico, considera-se que as ciências que examinam a educação são modos de ver, teorias, e como tais estabelecem o que deve e pode ser visto. Como as teorias são concorrentes, há também multiplicidade de objetos, justificando-se a avaliação de M. Tardy sobre a debandada epistemológica na área. Tal pluralidade tem implicações práticas, como na formação de professores, em que se vê total imobilização dos esforços para constituir um currículo adequado.

A debandada epistemológica das Ciências da Educação expressa a crise das Ciências do Homem. No início do século XX, esperava-se que tal situação fosse ultrapassada por uma Ciência da Educação, um corpus de conhecimentos confiáveis, mas esse projeto foi abandonado desde a segunda metade daquele século. Por outra via, o esforço para recolocar as questões centrais da epistemologia foi marcado pelo surgimento de duas obras que restabeleceram o estudo da retórica e da argumentação: em 1958, C. Perelman e L. Olbrechts-Tyteca publicaram Tratado da Argumentação - a nova retórica, e S. Toulmin, Os Usos do Argumento, ambos buscando compreender a constituição de conhecimentos por meio da revisão do Órganon de Aristóteles, incluindo a Retórica, para expor as racionalidades segundo as situações sociais, o que viabiliza a superação da debandada epistemológica.

Os trabalhos do Grupo destinam-se (i) estudar as formulações desses autores, bem como os seus desenvolvimentos contemporâneos, no intuito de ampliá-las e aplicá-las à análise dos discursos pedagógicos; (ii) no empírico, busca-se compreender as articulações discursivas de textos de autores que abordam temas de interesse da Pedagogia, tomando por objeto de estudo a expressão de ideias que exercem ou exerceram influência na constituição do campo educacional, abrangendo larga variedade de temas (metodologias de ensino, proposições políticas, exposições doutrinárias etc).

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